domingo, 3 de fevereiro de 2013
apenas uma fábula
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
a semana
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
sobre o que ocorre com frequência
O mundo foi previsto em fragmentos coloridos e rajadas de luz. Alguns códigos poderiam ser decifrados se tivéssemos acesso à linguagem das sensações. No entanto, desde muito cedo nos retiraram certas experiências. Há mais o que fazer em vigília!
Interrompemos um processo, tomamos água ao longo da noite. E as imagens voltam, aceleradas, gritando. Há o que se evidenciar. Não se trata de devaneio ou premonição, é uma parte da existência, é o início. A realidade desperta quando a cabeça ainda está no travesseiro. Sejamos atentos!
terça-feira, 2 de outubro de 2012
no limiar
domingo, 23 de setembro de 2012
o amor segundo Patrícia Galvão
domingo, 9 de setembro de 2012
falar? de que lugar?
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
sobre o pranto
Durante a despedida, estávamos todos sérios, tristonhos, cansados, peito apertado. Ninguém, porém, deixando que o pranto aparecesse. Devidamente comportados, evitamos que ela se incomodasse, depois de tanto viver de abalos e por nós. De minha parte, quis também seguir o ritual dos fortes, mantendo o acordo de gerações.
Os dias passaram e qualquer sentimento de falta ou saudade foi devidamente escondido por entre as penas do travesseiro. Minha mãe fez o mesmo, desaguando em suspiros secos. Até que ela resolveu voltar. Parou no meio do caminho, pois cada lágrima represada formava uma grande poça em sua estrada.
Abraçou-me forte, disse algo a mais que não me lembro, voltou a despedir-se repetidas vezes. Desejamo-nos sentimentos bons e calmos e, enfim, choramos. Sentindo cada pingo que cortava meus lábios, sem restrições, fui despertada pelo sol. Olhei em volta, o quarto vazio. No lugar de seus chinelos de pano pairava um alívio doce, além de algumas suspeitas de amor. Como última lição, revelou-me: "Lágrimas são para correr!".
sábado, 26 de maio de 2012
sensitivismo
Descubro com quem lidar na medida em que os sorrisos se revelam sangue. Triste. Quero ver essa cortina de poeira bem longe dos olhos. E quedê que se revela? Transborda em minha e em sua cólera, mas até isso se traveste muito bem. Identificamos o que é que incomoda, mas quase nunca logramos reagir. Tudo não passa de déjà vu.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
trivialidade
a superficialidade e a pouca sinceridade
idade da maioria
e das relações
cada dia
mais
propostas são "boas", com seus processos péssimos.
segue-se firme
modelo único do resultado
pateticamente fordista.
não se deixe fluir,
isso é fracasso!
aço.
e as coisas se movem
somente de acordo
com interesses que não são os de quem?
sol após sol
o universo do "macro" denuncia
fragilidade.
a mesma que faz
que se tenha pouca vontade em conviver
por entre outrem.
não é "culpa" das gentes.
que culpa?
resultado do controle histórico e suas condições.
ao menos é o que ensina
a poeira
do método.
e toda aquela admiração
inicial
pontual
juvenil
pelas possibilidades transformadoras,
onde está?
se dissipa.
é terrível.
pior que não nascemos
para a longa duração, tampouco
para perfeccionismos.
isso é o que enlouquece.
domingo, 6 de maio de 2012
Movimentos circulares indicam: poema concreto
quinta-feira, 22 de março de 2012
constipação e revertério
sábado, 24 de dezembro de 2011
pressa de viver
Assim, quiçá, seja melhor!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
saudade
Minha mãe me presenteou com um vestido de flor. Senti saudade de quando era criança e brincava com suas roupas de adulta. Senti saudade também do meu avô, pois por coincidência e no mesmo dia passei por uma rua do Centro e o cheiro era de jasmim. Esse mesmo cheiro é também da adolescência no interior, mas dessa sinto saudade apenas quando quero fugir da rotina do trabalho. Exemplo um. As recordações me confortam e me fazem raciocinar de que avô não volta, infância não volta, juventude de ninguém volta, mas tudo isso é amor onde quer que esteja.
Passei quatro dias dando comida a um gato cujo dono viajou. Sentia o cheiro desse dono por toda a casa, era uma tortura. Exemplo dois. Eu queria que esse dono estivesse ali, mas era somente o gato. O gato é um fofo, mas o cheiro trazia saudade, então tudo tornara-se um prazer estranho e com leves pontadas. Eis que em pouco tempo o dono voltou, eu sabia, com um livro do Jorge Amado e muitos beijos de areia.
Esses casos é que me fizeram pensar sobre "saudade, palavra triste".
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
arréte là, menino
domingo, 30 de outubro de 2011
rio de janeiro, junho de 2010
Sobre vozes e lugares
Alimento ideias sobre onde estou. E tenho lembranças que me remetem a contos, personagens, canções, filmes. Há muito estou na Central do Brasil, ainda que tenha fincado os pés neste espaço somente agora. E o que é a Central quando a noto por meus sentidos, sem representações?
O lugar sem paradas. Não há cadeiras para um breve descanso. Pelo alto falante, a locutora da rádio informa o próximo embarque. A mãe ensina os filhos a vender goiabada por um real. Um real também vale um chocolate, uma lâmina de barbear, um café. O trabalho das pessoas.
Duas jovens levam um senhor, cego, ao serviço de informações. A moça do balcão recebe quem chega. O vaivém é grande. Os sujeitos estão certos de onde vão. O som alto da Central não me deixa ouvir nitidamente as conversas recorrentes, mas todos têm o que dizer.
Caminho. Vou seguindo rumo ao centro comercial da cidade.
Minutos depois, estou na Uruguaiana e, em seguida, na esquina do Saara. As cornetas anunciam o evento de amanhã: o primeiro jogo da copa do mundo. A indicação dos ambulantes é que todos se preparem, com camisas e firulas. Outra rádio informa as horas, uma e vinte da tarde, e também as promoções. Por aqui, onde estará a voz das pessoas?
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
egocentricoinstrospeccionsimo
sábado, 22 de outubro de 2011
há algo na estante
A página está em branco, mas a noite esteve ilustrada. Calçadas vazias, vias cheias de automóveis. Um carro branco parou na esquina. Me esquivei, obviamente. Contornei o quarteirão, para seguir sozinha na rua, na chuva, pisando em folhas úmidas, deparando-me com corpos de frio, com frio, num frio, corpos estilhaçados, longe da guerra, no mesmo abandono.
Noite iluminada de sábado. Blusa azul, calça de napa, guarda-chuva com a foto do Cristo Redentor. A chuva me lembra o Rio, sempre. Interessante foi que fiz tudo para estar só, queria, necessitava, mas não estava.
Fui ao Ouro ver Ivan. Ivan e sua performance. Um monólogo. Pensei sobre o teatro tradicional, que valoriza a experiência do ator e a reproduz, justamente, em monólogo. Estou a dizer besteiras? Ele dizia o mesmo, com seu corpo, seu bigode, sua fala, seus gestos reproduzindo até mesmo o mar.
Eu não. Esperava mais. Mais além até de “O Mercador de Veneza”. Shakespeare seria uma boa referência? Queria ver algo que se dilacerasse, como no início do espetáculo, algo de sensações, experimento e desejo de conhecer.
[toda a prateleira, tudo o que os livros poderiam dizer em suas poucas palavras...]
Estava eu instigada com Ivan, seus aparentáveis sessenta anos e a performance corporal forçada. Algo ali era clichê. Talvez os braços e as pernas. A meia-calça marrom. A ideia de homem de negócios, do tal “jogo do poder”, da cena pós-econômica, do questionamento do espetáculo em si mesmo e da sociedade do consumo. Tudo era um perfeito clichê. Me levou a pensar no pós-teatro. Para isso deveria servir o Ritual. Para não dizer o mesmo da angústia humana já esgotada e pouco resolvida. Será? Ele fazia reflexões que provavelmente fizera com muito mais força aos 20, aos 30, aos 40...
“Colocar em ação a cena do mundo”. Isso, em seu dizer e seu querer dizer, era o que ele mais desejara. Era o que fazia valer o trabalho de um ator. Uma reflexão epistemológica no palco. Mas, as pessoas não enjoam disso? Não se fartam de questionamento nos tempos em que os questionamentos mesmos não mais são aceitos?
Passei a anotar suas expressões, formulando as minhas. Malditos livros que estão na estante. E que não lemos. Não líamos. Não chegamos nunca a ler. Nisso estou de acordo. Malditas falas que nos falam o mesmo, o contrário do mesmo, mais do mesmo, e que nem sempre conciliamos. Sequer notamos. Isso foi o que Ivan delimitou tão bem: obras inacabadas, prontas a serem devoradas como pão. Anotei, percebi, me prontifiquei a sentir... Devorei?
E rabisquei, no instante em que a meia luz tornava-se inteira:
... “desejos, sensações, curiosidade, vontade, experiência, experimentos, sentimento, luz. reflexão comum dos seres humanos, entre os seres humanos, o medo. esperança, fala, vontade de ser e dizer, de dizer. uma busca, n’alma, em busca: a crença. e o que mais? dizer para entender, dizer para incomodar. é máscara? ou rosto?”.
Escrita total do bloquinho azul. Na estante, em outras oportunidades, significaria?
poesia, mais uma sequência
Meus agradecimentos a Mara, colega da oficina de literatura dramática, pela sugestão!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
misericórdia
Teria outrora algo mais interessante a dizer. A política, a estrutura, a crise, a greve, o trabalho, o conceito, o manifesto, o autor. Eis que um dia foi acometido de um problema ínfimo, dedicação máxima dos folhetins. Uma dor profunda e ignorada. Algo necessariamente difícil de se resolver e especialmente estranhado da coletividade. Chorou abafado. Esgotou seu próprio repertório, sem nem muito esforço. Tornou-se desde então de pouca graça, para todos e para si próprio, pois já não mais queria seguir com discursos e audiências. Queria somente um travesseiro. Para quem supunha que questões sociais não demandam afeto, recebeu bela noite um tiro de misericórdia:
“Dorme, meu filho...” – consolou o poeta.
