Nem o tomate é o mesmo, está cheio de agrotóxicos. Nem o chocolate garoto, a fanta uva e o jeans surrado têm mais aquele gosto oitentista da infância. Não se fazem mais pães de queijo, empada e pamonha com aquele tantão de queijo dentro. E nem o café ralo e doce a vovó faz mais.
Não se fazem mais como antigamente: crianças, brincadeira de criança, brigas de criança. Hoje elas perguntam qual a profissão do pai do amigo e preferem as transações do banco imobiliário virtual.
Não se fazem mais os mesmos cavalheiros, os mesmos cavaleiros, os mesmos garçons e o mesmo "lord" inglês. Hoje parece que há uma preocupação maior em ser ético, quando na verdade não há ali um pingo de autenticidade. Não é como antes sequer a mesma malandragem, que jogava seu chapéu para o vento, em um clima romântico de sedução e boemia. Hoje os malandros, com suas camisetas Lacoste, usam água de cheiro industrializada e tentam parecer doces rapazes.
Não se fazem mais os mesmos causos, as mesmas prosas e o mesmo balanço. As conversas são cheias de informação, mas sempre regadas por visões superficiais sobre qualquer ato ou fato. As experiências foram sequestradas e "dessequestradas", mas não são as mesmas do mundo que se permitia ser visto muito mais com os olhos e com o coração do que com as lentes da técnica.
Não se faz mais a transcendência como antigamente, porque ninguém está disposto a confiar no que não conhece. Nem eu e nem você somos os mesmos, porque buscando ser sempre melhor, podemos reduzir essa esperança seguindo sempre o pior.
Não se faz mais qualquer coisa de antes. Porque o antes já passou e, uma vez que passou, não traz mais surpresa alguma. É verdade que nada será como antes porque esse antes está na memória, foi apropriado pelas lembranças e tem o gosto que queremos dar, da forma como idealizamos o mundo. E o mundo de hoje é real. E de tão real que é, fica sem graça.
Não se fazem mais como antigamente: crianças, brincadeira de criança, brigas de criança. Hoje elas perguntam qual a profissão do pai do amigo e preferem as transações do banco imobiliário virtual.
Não se fazem mais os mesmos cavalheiros, os mesmos cavaleiros, os mesmos garçons e o mesmo "lord" inglês. Hoje parece que há uma preocupação maior em ser ético, quando na verdade não há ali um pingo de autenticidade. Não é como antes sequer a mesma malandragem, que jogava seu chapéu para o vento, em um clima romântico de sedução e boemia. Hoje os malandros, com suas camisetas Lacoste, usam água de cheiro industrializada e tentam parecer doces rapazes.
Não se fazem mais os mesmos causos, as mesmas prosas e o mesmo balanço. As conversas são cheias de informação, mas sempre regadas por visões superficiais sobre qualquer ato ou fato. As experiências foram sequestradas e "dessequestradas", mas não são as mesmas do mundo que se permitia ser visto muito mais com os olhos e com o coração do que com as lentes da técnica.
Não se faz mais a transcendência como antigamente, porque ninguém está disposto a confiar no que não conhece. Nem eu e nem você somos os mesmos, porque buscando ser sempre melhor, podemos reduzir essa esperança seguindo sempre o pior.
Não se faz mais qualquer coisa de antes. Porque o antes já passou e, uma vez que passou, não traz mais surpresa alguma. É verdade que nada será como antes porque esse antes está na memória, foi apropriado pelas lembranças e tem o gosto que queremos dar, da forma como idealizamos o mundo. E o mundo de hoje é real. E de tão real que é, fica sem graça.
