segunda-feira, 23 de agosto de 2010

gonorãnça

Não sabe o que quer. Quer dizer. Se sufoca. Não se move. Não se desfaz. O fogo arde. Arte. É intenso. Convivência real. Dificuldade é também. Porque se busca. Experimenta. A duras penas, deve valer. Alguma pena. Inventa e brinca. Tal qual criança. De madura, só a cicatriz. O verbo existe. Não é implacável. O fim em si, talvez. Interpreta o poema com uma descabida e indiscreta licença poética. Que constrói rima pobre. Pobre de vida. Não quer aparecer. Quer aparecer por demais. Age. Sonha. Odeia agir e sonhar. Questiona-se. Se vira em Bernardo. São Marias.
Pirlimpsiquices. E o que se leva é a lição. Da cara, de cara, do peito, da dor, do meio riso, do tédio, do mal humor, do pensar e repensar. O que for, o é. E o doce de um único suspiro pode ser guardado. Dentro de uma Barsa. Não vá, não nos deixe tão prematuramente. Apesar de que, vontade é vontade. E qualquer que seja, melhor respeitá-la. De uma vez. O medo. É que o grito, de tão individual, tornou-se mudo. Somado à técnica, ao dizer, aos modos de ser, às repetições, ao molde, converteu-se em poder. Manjado de tudo. Não é o que se quer.

domingo, 22 de agosto de 2010

fogo, ar, terra, água... fogo

Pés e picadas de mosquito: combinam.
Rostos marcados pelo vento
fortemente frio.

Terra debaixo das unhas.
Sol rachando as nucas. Omni congelante.
Ossos resistentes.

Cheiro de mel nas flores.
Bem menos que da outra vez.
Pássaros anunciando o fogo no pé da serra. Animais em polvorosa.



Fogo ardente também entre as pessoas
Marcas de convivência.
Respirar fundo.

Folhagem seca
Se desfaz, poeira...

E o mais forte se transforma
Adubo.
Depois, fotossíntese.

Alma se lava com Cerrado.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

impressões

Não é a toa que na capital federal não se anda a pé. Não há acesso facilitado a pedestres naquela cidade. O "futurismo" da construção era, em verdade, fordismo. O "escritório executivo do capital" tinha realmente de ser planejado com muitas retas. O traçado da coerção, disfarçado de vida plana. Para decolar, somente o piloto do consenso, impregnado em cada quadra. E os privilégios de uma classe A de burocratas, "representantes" do cidadão, estão o tempo todo escancarados no Iguatemi ou em qualquer zona da Ceí. O assessor de imprensa do Banco Central está preocupado com a Wikipédia, pois as redes sociais são meio "anárquicas". O taxista sonha em frequentar os clubes granfinos: "pode entrar qualquer um, não importa a classe social, desde que tenha dinheiro". E o flanelinha que conseguiu chegar até a Asa Norte é um vencedor. Brasília: além de odiá-la por uma série de motivos - dizem por aí - "ideológicos", sou goiana!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

mais uma nota sobre o avanço

Tecnofilia, doença infantil

por Bob Black


"Se o patriotismo é, como disse Samuel Johnson, o último refugio de um canalha, o cientificismo é desde já o primeiro. É a unica ideologia que, agora em versão cibertola, projeta a aparência e a sensação de futuridade enquanto conserva atitudes e valores essenciais para manter as coisas exatamente como estão. Continue zapeando!

A afirmação abstrata de "mudança" é conservadora, não progressista. Ela privilegia toda mudança, aparente ou real, de estilo ou substância, reacionário ou revolucionário. Quanto mais as coisas mudam - em especial as que mudam - , mais elas continuam iguais. Mais rápido, mais rápido, Speed Race! ( mas continue andando em círculos).

Pela mesma razão, privilegiar o progresso também é algo conservador. O progresso é a noção de que a mudança tende ao aprimoramento e de que o aprimoramento tende a ser irreversível. Contratempos locais acontecem quando a mudança é interrompida ou desviada ("o éter", "flogisto"), mas a tendência secular é avante (e secular). Nada dá muito errado por muito tempo, então nunca ha um motivo importante para não continuar fazendo o que se está fazendo. Vai dar tudo certo.

Como um jurista já disse em outro (porém assombrosamente similar) contexto, as rodas da justiça giram devagar, mas moem direitinho."



Texto retirado de República de Fiume


sábado, 31 de julho de 2010

num é que é?!


"A juventude é inteligente, a cabeça da juventude é uma bola de ouro.
Agora, não sabe do nosso histórico.
Não sabe de regionalismo.
Tem o anel no dedo, tem estudos sociais, mas não aprendeu sobre a casaca de couro, o sarapó e o cascudo.
Não sabe de nada do que aconteceu com nosso pai,
avô, bisavô, tataravô e escanchavô.
A juventude é analfabeta em regionalismo!"

Galvão do Juazeiro




Fotografia de Vinícius Batista, companheiro de reportagem.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

para constar



Como é antiga a novidade!



Recorte retirado do jornal Cinco de Março; alguma edição de 1978.
Fonte: Arquivo Histórico de Goiás.

sobre um ontem

Posso ter sido enganada,
mas os meus pés precisam mais de mim
agora.