domingo, 12 de junho de 2011

o que é intelectual?

N'outro dia, apresentei trabalho em um congresso e usei a expressão "intelectuais de um campo". Na hora dos comentários, alguém considerou que eu estava falando de uma "elite" e, pior, que me inseri nesta elite. Isso me incomodou. E pensei se não deveria ter explicado melhor a que me referia.

N'outra ocasião, ao assistir a um debate sobre "pesquisa empírica" estabelecido entre três professores, percebi que o discurso deles caminhava 300 anos atrás e se revestia de "rigor" e "neutralidade". A Comunicação agora está querendo ser "ciência dura"? E para quê? Perguntei aos três se a minha impressão estava "correta". Eles me contaram toda a história do Positivismo, mas em nenhum momento disseram "sim" ou "não".

Pois é.

Diante desses ocorridos, é preciso demarcar que quando leio "intelectual" não entendo "gente que usa o intelecto" (afinal de contas todo ser humano faz isso o tempo todo, em todas as atividades e mediações) e nem entendo "pessoa que integra a comunidade acadêmica e que ensaia pesquisas". Entendo, sim, "criador, organizador e disseminador da cultura", das ideias que formulam visões de mundo, hegemônicas ou não, como definiu Antonio Gramsci. Então quando leio "intelectual" não entendo um ser superior e/ou privilegiado, mas sim um ser social que está rente na "batalha de ideias".

Essa diferença tem de ser destacada pois deve estar claro o posicionamento político desse trabalhador - o "intelectual". Basta de neutralidade!

sábado, 28 de maio de 2011

hoje é dia de poesia: quem levar?

Um pensamento:

Patrícia Galvão, José Paulo Paes, Mário Benedetti, Carlos Drummond de Andrade, Abel Silva. Ela e eles vêm me acompanhando há algum tempo, repetitivamente. Quando tem sarau no Shangri-lá ou quando a "gonorância (im)produções" se encontra num repente, estou lá com os mesmos amigos e os versos de sempre. Passo vergonha, apesar de serem tarimbados. Queria variar!

(...)

Impossível foi esse meu desejo matutino de sábado, quando encontrei um depoimento de Abel Silva dado a Carlos Didier. E me deparei com sua prosa documental...


Tive na faculdade uma colega linda, tremenda morena, mas que era triste. Me lembra Machado: “Se bela, por que triste? Se triste, por que bela?”. Eu achava aquela tristeza um mistério. Eu pensava também em Sartre. Eu vivia com a cabeça cheia de Sartre. E pensava: se “o corpo é o destino”, ela nasceu para a alegria; no entanto, é esta sombra. Então, numa festinha de violão e tal, na casa dela, conheci a mãe da minha colega e vi que era a tristeza em pessoa. Eu pensei: ai de quem tem mãe triste.


... com suas reflexões sobre a poesia...


Existe uma poesia do olho e uma poesia do ouvido. Claro que há diferença entre letra de música e poesia de livro. Quando estou a fim de publicar livro, boto algumas letras. Jura Secreta, por exemplo. Festa do Interior, não. Porque é estritamente para ser ouvida e dançada. Jura Secreta tem versos para serem lidos e ouvidos.


... e o próprio método...


Tem a canção da madrugada, das três horas da manhã. De repente, você acorda e aquela solidão total. Uma sirene toca longe... Há uma lucidez, um perigo às três horas da manhã. Você pode ser surpreendido, de repente, em pleno sono por uma premonição, e isso pode ser um verso, uma canção, e lá vai o sono embora.


... ou sobre a "ideologia do viver"...


A questão não é rir por último
nem muito menos antes:
A questão é rir durante.


... ainda, com a mais conhecida definição de nós mesmos:


Só uma palavra me devora
aquela que o meu coração não diz


Hoje é dia de poesia com Abel Silva, mais uma vez!

sábado, 21 de maio de 2011

percepção em oito tempos

era para o mundo acabar, mas eu estava num palquinho de madeira, debaixo de uma tenda de circo, lá na pracinha da rua mil e treze, no setor pedro ludovico. a meninada da vizinhança acompanhava tudo de perto. repetia a contagem dos passos. seguia as respirações com palmas. a lu falava segurando um megafone, brava, nervosa, como todo diretor cênico parece fazer em dia de ensaio geral. e rodopiávamos de improviso, com medo de cair, pensando sobre como seria no dia da apresentação. algumas pessoas estavam bem mais seguras que outras, é claro. não almocei, pedalei 40 minutos para chegar nesse lugar. tardei horas pensando na flor azul que iria na cabeça. pintei as unhas de vermelho. e todo aquele frio-quente interior de quem faz uma atividade pela primeira vez. algo tão desafiador quanto uma paixão recente. que me faz perceber como é bom ser experimentadora de vida, aprendiz de gente, estudante de movimentos, investigadora de sensações, testadora de corpos. curiosidade que me aplaca, enfim, é por essa tal de "autonomia do sujeito, no mundo e com o mundo". que ora está no livro, ora está na dança; que ora é da concentração individual, ora é da conspiração coletiva; que ora falta em mim, ora vem desde criança. obrigada, lu, por esse despertar!



sexta-feira, 13 de maio de 2011

pedagogia do terror em 22 atos

O manual que segue foi elaborado depois de 26 meses de observação-participante dentro de um programa de pós-graduação em Comunicação. Foi possível realizar um diagnóstico a partir do procedimento da indução. Contribuíram alguns colegas, com seus relatos.


PEDAGOGIA DO TERROR EM 22 ATOS


COMUNICADO: Algo aconteceu naquele reino de quinquilharias que me fez rever o olhar. Portanto, terei de refazer esse texto. Um dia o retomo!

(...)

22. Fique tranquilo, sempre haverá outro colega para lhe defender, lembre-se que sua categoria é a parte forte do esquema 70-15-15 da universidade pública brasileira.

sábado, 23 de abril de 2011

momento


por alguns minutos parei
a única nuvem escura passou.
tive ideias inconclusas.
o tom de azul deixou-me estarrecida,
encantada,
pensando em quê?
(suspiros)
o céu!
puf! - sumiu
piscadela
muito a (se) fazer