Em 2006, pela primeira vez na vida, depois de 2 anos de formada, uma especialização recém-encerrada e muitas ilusões, entrei em uma sala de aula. Virei professora, quase que por acidente. Não sabia o que pensar e sequer como agir. Mas, assumi aquela postura da maioria fraca e inexperiente: tentei ser séria e me sentir superior. Não deu certo, claro. Logo nos primeiros encontros com a turma, vários foram os estudantes que me desmontaram. Entre eles, Cristiane e Amabile. A primeira me levou para o Bar do Laranja. A segunda, tirou alguma onda me chamando de "tia" e ainda gritou: meu nome não tem acento!
A Cris me cativou desde o início, com sua calma e sensibilidade. Muito rapidamente tornou-se a melhor companhia que eu poderia ter naquela cidade de gaúchos expatriados. Dividimos livros, discos, filmes e referências sobre o Pequeno Príncipe. Passeamos por Porto Velho e até pelo Rio de Janeiro! Ela foi embora para Cuiabá um ano depois, salvo engano. Mas, voltou a Vilhena algumas vezes e nunca deixamos de dividir as angústias sobre os namorados malfadados ou os problemas de família. Muitas vezes eu prometi que a visitaria, nunca fui.
Já com a Amabile foi terror à primeira vista. Ela falava alto e sempre soltava alguma frase indevida. Quando não passava vergonha em mim, criava caso com outra pessoa. No início, interpretei suas atitudes como prepotentes. Depois vi que era pura sinceridade. Me equivoquei: aquela falastrona toda não segurava a própria espontaneidade. Menina durona, menina doce. Enfim, menina. Não saiu mais da minha casa e foi a única a levar o projeto da rádio na escola a sério e até o fim. Certa vez, em 2008, na Bolívia, tivemos uma briga tão feia que ela chorou muito, arrumou a mala e simplesmente foi embora. Pedi desculpas de forma descrente. Até hoje ela diz: "você é chata, mas...". Não guarda sequer os próprios segredos. Tem o coração mais apto a perdoar que já conheci.
Vim embora de Rondônia há pouco mais de dois anos. Pensei que nunca mais veria Cris, Amabile ou quem fosse. Muitas vezes supus, aliás, que apesar de ter gostado de muita gente que vive ou viveu naquele estado, seriam todos, sim, ex-colegas, ex-amigos, ex-conhecidos ou ex-qualquer outra coisa. O trauma me impediu de manter vínculos, mas é claro que essa austeridade não durou muito tempo. E se sequer controlei a sala de aula, imagina se iria fazer isso com a vida?!
No início deste ano, combinamos de ir a Cuiabá. O "motivo" era um congresso da Comunicação que teria no mês de junho. Deu certo, apesar de a Cris até o último momento duvidar que eu iria - com toda razão. E quando as reencontrei, naquele pátio da UFMT, esvaziado pela greve, parecia que nunca havíamos deixado uma a rotina da outra. Estávamos Cris e eu, novamente, dividindo as dores; estávamos Amabile e eu, num repente, trocando carinhosas farpas; estávamos as três falando, falando, falando mil coisas ao mesmo tempo. E ouvindo, é claro.
Engraçado como foi notar a cumplicidade. Isso não tiramos da instituição escolar, infelizmente, mas sim da vida. Na hora de partir, deixando minha alma em Cuiabá, foi que senti em dois abraços o sentimento de amizade. Ex-alunas? Não. Sempre foram, sim, amigas. Obrigada, queridas, pelo reencontro!
A Cris me cativou desde o início, com sua calma e sensibilidade. Muito rapidamente tornou-se a melhor companhia que eu poderia ter naquela cidade de gaúchos expatriados. Dividimos livros, discos, filmes e referências sobre o Pequeno Príncipe. Passeamos por Porto Velho e até pelo Rio de Janeiro! Ela foi embora para Cuiabá um ano depois, salvo engano. Mas, voltou a Vilhena algumas vezes e nunca deixamos de dividir as angústias sobre os namorados malfadados ou os problemas de família. Muitas vezes eu prometi que a visitaria, nunca fui.
Já com a Amabile foi terror à primeira vista. Ela falava alto e sempre soltava alguma frase indevida. Quando não passava vergonha em mim, criava caso com outra pessoa. No início, interpretei suas atitudes como prepotentes. Depois vi que era pura sinceridade. Me equivoquei: aquela falastrona toda não segurava a própria espontaneidade. Menina durona, menina doce. Enfim, menina. Não saiu mais da minha casa e foi a única a levar o projeto da rádio na escola a sério e até o fim. Certa vez, em 2008, na Bolívia, tivemos uma briga tão feia que ela chorou muito, arrumou a mala e simplesmente foi embora. Pedi desculpas de forma descrente. Até hoje ela diz: "você é chata, mas...". Não guarda sequer os próprios segredos. Tem o coração mais apto a perdoar que já conheci.
Vim embora de Rondônia há pouco mais de dois anos. Pensei que nunca mais veria Cris, Amabile ou quem fosse. Muitas vezes supus, aliás, que apesar de ter gostado de muita gente que vive ou viveu naquele estado, seriam todos, sim, ex-colegas, ex-amigos, ex-conhecidos ou ex-qualquer outra coisa. O trauma me impediu de manter vínculos, mas é claro que essa austeridade não durou muito tempo. E se sequer controlei a sala de aula, imagina se iria fazer isso com a vida?!
No início deste ano, combinamos de ir a Cuiabá. O "motivo" era um congresso da Comunicação que teria no mês de junho. Deu certo, apesar de a Cris até o último momento duvidar que eu iria - com toda razão. E quando as reencontrei, naquele pátio da UFMT, esvaziado pela greve, parecia que nunca havíamos deixado uma a rotina da outra. Estávamos Cris e eu, novamente, dividindo as dores; estávamos Amabile e eu, num repente, trocando carinhosas farpas; estávamos as três falando, falando, falando mil coisas ao mesmo tempo. E ouvindo, é claro.
Engraçado como foi notar a cumplicidade. Isso não tiramos da instituição escolar, infelizmente, mas sim da vida. Na hora de partir, deixando minha alma em Cuiabá, foi que senti em dois abraços o sentimento de amizade. Ex-alunas? Não. Sempre foram, sim, amigas. Obrigada, queridas, pelo reencontro!

