quinta-feira, 1 de julho de 2010

a pequeneza das preocupações inorgânicas

(prometo melhorar!)

Tive uma professora que, nos momentos de crise da turma, dizia: "esperaí. não vá se matar, hein?". E ela queria pedir pra gente não desistir. Mas, eu acho que cometi suicídio sim. "Tuiticídio", não é assim que dizem? Desisti do tuiter. Porque há alguns dias estou fazendo auto-análise virtual e me perguntando: De que adianta emitir opinião? O que isso muda, de fato, além de eu me expor, fazer amizades e também inimizades, posar de ridícula ou de bacana e... O que mais? O que muda? O que muda para mim? E para o outro? Será que eu estou também depositando alguma esperança em um espaço que não é público, de fato? Muito pelo contrário, é controlado...

E por outro lado, ao desistir, estou eu reunindo muita confiança nesse poder de mobilização que a gente pensa que tem com um tuiter nas mãos e, na verdade, não tem? O tema da mobilização mexe muito comigo, é um pedaço não resolvido da minha vida, pois nunca consigo entrar de fato ou sair de fato dos projetos populares, por causa dos conflitos. Sou sempre a "inorgânica" do movimento, daquelas que nunca tem autoridade para falar, pois não vive, não luta, desiste logo, dá pitaco, cria polêmica, mas só para inflamar. Daí quando eu me pego na contradição, penso: estou sendo ativista? Nunca!

No caso do tuiter, com quem estou falando? A meninada do setor Shangri-lá está lá? Não. Essa mobilização tuiteira é para uma classe que não quer ser mobilizada, quer sequer mudar alguma coisa, apenas continua nutrindo-se de pseudo-opiniões. E então eu vou alimentar isso?

Provocar é interessante, eu gosto quando uma pessoa me provoca... aliás, da parte que te toca, espero continuar sendo provocada por e-mail. Mas, será que estou eu pronta para esse papel? Talvez você esteja, outras pessoas estejam, mas eu? Não sei. E ando perdendo a paciência também com tanta propaganda, autopropaganda, sei lá, tantas mensagens superficiais, de autojustificativa, ataques etc. que eu estava (ou estou) viciada a ler...

Assim, me pergunto: por que eu quero insistir em algo que pode tocar ou não as pessoas, pode tocar ou não a mim mesma, mas que não vai representar, de fato, uma ação ou uma experiência minha no/do/para o mundo?

Provavelmente estou exigindo muito de mim, dos outros e do tuiter, mas é o que sinto no momento. Resumindo, eu estou realmente naquela fase do "saco cheio", sem paciência mesmo, me suicidando por aí... tpm, será? Não. Não posso limitar minha sensibilidade à natureza. É que realmente não estou vendo sentido mais nessa emissão de opiniões. Ah, quero pensar melhor. Acho até que vou arrepender. Te conto depois... como estará minha vida além-tuiter!

Abraço!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

aspas (ainda não autorizadas) de Carolina Melo

Carolina Carol Melo Bela - retirei seu codinome do cancioneiro popular – é uma amiga revelada nas horas de entrega, energia, perrengue e reflexão.

Muitas coisas me fazem lembrar seu dedo indicador voando pelos ares, seu tom de militância e suas escolhas na contramão. Vida-obra de Patrícia Galvão encontrada no sebo, por exemplo, remete ao cheiro de coquinho do Cerrado que levemente carrega Carol. Suas palavras duras de NÃO, necessárias como a luta de Pagu contra “os pregos na cabeça” do SIM, me conduzem ao sonho pouco mágico da subversão e da transitividade. Quem sabe um dia, mais para frente, nós alcancemos algo que poderemos transformar em negação?

Porém, os tempos são de recolhimento, “morrer para nascer”, diria Carolina. E é por isso que ela tem vivido “de futuro”. E me ensinado a “viver de futuro”. Tocando-me profundamente com uma breve expressão.

Nesse momento de nossas vidas, devo estar contente apenas com suas correspondências (virtuais). E assim faço, compartilhando em partes, é claro. Porque Carolina Melo não cabe em uma caixa de cartas privadas. A menina da flor solitária pendurada no ombro é para o mundo, não apenas para Ana Rita, Taiana e Patrícia.


Ô meninas, tô sumida.
Sei que é errado viver de futuro. Mas estou fazendo isso agora.
Estou morrendo para nascer.
E quando nascer... Ah! Ninguém vai me segurar... rs

(...)

Neste processo, ando pensando nas classes, que nos afastam, e existem! Nas diferenças não concebidas como igualdades. E ando assumindo as contradições da melhor forma que consigo.

De fula, fiquei em segundo lugar no concurso pra jornalista do IFG. Rrrr!

De joça, estou doida para começar minha pesquisa empírica no Real Conquista.
De sina, estou colecionando caixinhas de saudades.
No mais, ando vivendo de futuro...
Beijos! Carol


Ps.: Ela ainda não me autorizou a publicar parte de seu e-mail. Portanto, se não gostar da surpresa, terei de apagar esta postagem. Aproveitem!

sábado, 5 de junho de 2010

intolerância e revoltude

Quando eu tinha 12 anos sequestrei uma coleguinha da natação e a levei para Campo Grande.

Como?

Nós íamos para um campeonato e ela não ia. Íamos porque tínhamos de 9 a 12 anos e ela tinha 13. Ela queria ir e não podia. Não sabia como. Aí a Nádia e eu tivemos a brilhante ideia: Liliane, por que você não vai escondida no ônibus? Ela topou na hora. Pensávamos que isso não nos traria tantos problemas e que, uma vez em Campo Grande, nada mais poderia ser feito.

Ela arrumou uma mochila e, no dia da viagem do grupo, se escondeu no ônibus. Jogamos todas as malas sobre seu corpo pequeno, espremido no chão do carro, entre uma poltrona e outra. E assim ela foi. E assim fomos nós. Nádia e eu sobre Liliane, dando-lhe cobertura.

Fazia muito calor. Ela tinha sede. Inventamos uma série de desculpas para justificar aquele aperto todo. "Muitas malas". Para mim foi um grande sentimento de espírito de equipe. Três se esforçando enormemente para realizar o desejo de uma. Que queria passear, conhecer Campo Grande. Só isso.

Mas, que decepção! Em Rio Verde, fomos descobertas. E a Andrea não nos perdoou. Chamou a polícia. Fez a turma ficar contra nós duas, proibiu todo mundo de passear no shopping. O pai da Liliane estava desesperado em Goiânia. Isso nos trouxe grandes traumas. Tanto que interrompemos nossa amizade. E eu conheci os rótulos, pela primeira vez.

No campeonato, fiz o melhor tempo dos 100 metros nado peito entre as meninas da minha idade. Isso me fez ter novamente permissão para ir ao shopping com os coleguinhas. Foi uma das primeiras vezes, também, que me lembro de me culpar. E me lembro do individualismo das pessoas que "por culpa nossa" não foram ao shopping.

Fiz o que achava que era correto, mas o certo para mim era completamente criminoso para a técnica-professora-responsável pela equipe. E também para os demais. Muito estranho. O mundo de dentro não é o mesmo de fora? Aprendi também que não.

Quando cheguei de viagem, os amigos mais velhos da minha irmã tinham me apelidado de "revolts". Caramba, isso me marcou muito!

Hoje, quando escolho não andar de carro, não comprar mais roupa, não trocar de aparelho celular, não ter o título de professora-docente-superior só por ter, não seguir as modas televisísticas da academia, não bajular o reitor, não aceitar piadas racistas, amar alguém que mora longe, contrariar todas as regras de relacionamento que me soam falsas, considerar hipócritas antigas amizades, desfazer repetitivas convenções, me sinto, de fato, uma "revolts".

E pago por isso.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

web 5.0

Energia, ideologia, comunicação, linguagem, padrão, temores, desespero: tudo é renovável.


“Ó Tipografia! Como distorcestes a paz da Humanidade”
Andrew Marvell (1672)



Cavalos, estradas, eletricidade, cabos, telégrafo, rádio, telefone, transístor, computador.
E o que mais as nossas crenças permitem impor?


“Avante! Vapor ou Gás, ou Carruagem
Mantenha a Cabine, pequena gaiola dirigível –
Passeio, Jornada, Viagem, Ócio, Corrida, Caminho,
Planar, Projetar, Excursionar, Papear na Viagem –
Mover-se, você deve! Esse é o desejo de hoje, Lei e moda atual”
Samuel Taylor Coleridge (1826)