quinta-feira, 30 de setembro de 2010

nulo, sem graça e sem pontuação

não sabemos votar não sabemos escolher não sabemos sequer separar "competência" de "discurso" estamos imersos em uma política feita pelo marketing político e nada mais queremos quem tem mais firmeza para nos tutelar Hitler também tinha ou então pensamos que a vida em sociedade é igual a uma empresa e precisa de gente "competente" para administrar para não falir para pagar bem os funcionários para não faltar água etc ou em proporções maiores para garantir os direitos sociais escolhemos conforme o custo-benefício mantemos além da relação de tutela uma relação de cliente com o Estado e tirando o fato de uma ou outra sensação de mudança estar presente em verdade é uma grande crise que nos rege e nos alimenta o capitalismo é a própria crise e dizer isso é tão clichê quanto rir disso a direita rumo ao social e a esquerda rumo ao capital para salvar o planeta representam essa crise em três vias terceira via que se camufla ora no discurso da mudança ora no da continuidade é um grande paradoxo em verdade só queremos viver um dia após o outro ou melhor dizendo manter tudo como está porque é isso que nos faz discutir eleições querer que tudo fique como é inerte não queremos perder a estabilidade ainda que ilusória enfim desânimo nosso anularei o voto pois simplesmente devo ser verdadeira comigo e se escolher qualquer candidato estarei mentindo pois não penso que esse modelo pseudo-democrático de pseudo-escolha presidencial um modelo aliás que nos foi imposto como mito de boa governança de fato possa reger a vida das pessoas FMI Banco Mundial Fulbright Ford Dassault Vivendi-Universal etcetcetc já fazem isso

domingo, 12 de setembro de 2010

puesto que siempre ha sido lo que es...


Miren cómo sonríen
los presidentes
Cuando le hacen promesas
al inocente.

Miren cómo le ofrecen
al sindicato
Este mundo y el otro
los candidatos.

Miren cómo redoblan
los juramentos,
Pero después del voto
doble tormento.

Miren el hervidero
de vigilante
Para rociar de flores
al estudiante.

Miren cómo relumbran
carabineros
Para hacerle premios
a los obreros.

Miren cómo se visten
cabo y sargento
Para teñir de rojo
los pavimentos.

Miren cómo profanan
las sacristías
Con pieles y sombreros
de hipocresía.

Miren cómo blanquean
mes de María
Y al pobre negrean
la luz del día.

Miren cómo le muestran
una escopeta
Para quitarle al pobre
su marraqueta.

Miren cómo se empolvan
los funcionarios
Para contar las hojas
del calendario.

Miren cómo sonríen,
angelicales,
Miren como se olvidan
que son mortales.




Los conquistadores - arpillera

terça-feira, 7 de setembro de 2010

emancipação e (para o) culto

“O historiador italiano Carlo Cipolla, em seu estudo Letramento e desenvolvimento no Ocidente (1969), deu ênfase à contribuição da capacidade de ler e escrever para a industrialização e, mais genericamente, para o “progresso” e a “civilização”. Sugeriu que “a difusão da capacidade de ler e de escrever significa... uma atitude mais racional e mais receptiva diante da vida”. O trabalho de Cipolla é representativo de uma fé na “modernização” típica de meados do século XX, crença subjacente às campanhas de alfabetização organizadas pela Unesco e pelos governos de países do Terceiro Mundo, como Cuba”.

BURKE, Peter & BRIGGS, Asa. Uma história social da mídia. RJ: Zahar, 2006. p. 14






“O novo Citroën incontestavelmente cai do céu, na medida em que se apresenta, de imediato, como objeto superlativo. É preciso não esquecer que o objeto é o melhor mensageiro da sobrenaturalidade: há facilmente no objeto ao mesmo tempo perfeição e ausência de origem, fechamento e brilhância, transformação da vida em matéria (a matéria é bem mais mágica do que a vida) e, em suma, um silêncio pertencente à categoria do maravilhoso”.

BARTHES, Roland. Mitologias. RJ: Difel, 2003. p. 142.




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"contra os que têm resposta para tudo"

Elaboramos bem o discurso
para justificar a falta de entrega para com as experiências,
o outro,
para com nossa própria (des)identidade.

Nos tornamos frios como solução para nossas misérias - internas e externas.
Assim passamos a crer, severamente, em autodefesa.
Assim escondemos nossas fragilidades, principalmente, de nós mesmos.
E buscamos a liberdade que, em verdade, é dominação.

Alguém já disse: liberdade e dominação pressupõem autoconhecimento
e autoconhecimento pressupõe mitos abundantes do que já foi desencantado.
E o que foi desencantado é que produz respostas.
E são essas respostas para tudo o que buscamos todos os dias,
quando nos justificamos
ou agimos de modo orientado
a nos justificar.

Somos uma enlameada retórica.

O que devemos ser?
Talvez um caramujo, movendo lentamente, balançando as antenas devagar.
Devagar nesse mundo?

Sabemos, talvez, o que não é,
que parece ser.
E isso nos conforta, importa, nos faz soltar palavras.
Vazias, por sinal,
sem experiência.
De algo que vivemos, mas não sentimos.
Nem concretizamos.
Que idealizamos com carinho e perfeição,
mas executamos nas bases da dominação.

Repeteco!

Porque é a dominação (de novo!) a mesma a nos formar e deformar.
Nos faz estarrecidos e ilude.
E quando "descobrimos" tudo isso, o que fazemos?
Nada.

Ainda não descobrimos,
já que descobrir requer crença
no mito da descoberta.
E cremos nesse mito,
mas é melhor
para a nossa autojustificativa
dizer que não cremos.



Nota: Este texto é uma interpretação livre da Dialética do Esclarecimento, que Theodor Adorno e Max Horkheimer publicaram em 1947; obra que gosto muito, que ainda compreendo pouco e que me influenciou bastante nos últimos tempos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

eleições frenéticas

Quando a gente vota, quem escolhe?

"
A importância das eleições presidenciais, com ou sem fraude, é relativa. As decisões que afetam Honduras são tomadas primeiro em Washington; a seguir, no comando militar norte-americano no Panamá; depois, no comando da base norte-americana em Palmerola, aqui em Honduras; em seguida, na Embaixada norte-americana em Tegucigalpa; em quinto lugar vem o chefe das forças armadas hondurenhas; e, apenas em sexto lugar, aparece o presidente da República. Votamos, pois, em um funcionário de sexta categoria quanto ao poder de decisão. As funções do presidente se limitam à administração da miséria e à obtenção de empréstimos norte-americanos."

Ramón Oquelí, historiador hondurenho, citado por Atílio Boron.
Em: Império & Imperialismo, p. 98.