dizer.
falta o quê.
sexta-feira, 18 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
julinho, eu te amo
Cena de novela: frustração zero. O mocinho, em fase de resolução interna, assume seu velho sentimento. E, em meio à plateia da festa de casamento, grita: “Julinho, eu te amo!”. As damas de honra, todas moças, vestidas de rosa, congelam suas feições, boquiabertas e um tanto desanimadas.
O Julinho - snif - fragilizado, emocionado, que outrora odiava esse ser um tanto dúbio e inseguro, sorri docemente e o abraça. Somente o abraça, pois a tevê sessentona ainda não arrisca um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Ou arrisca? Não sei, mas o casal gatíssimo que protagonizou essa cena não se beijou, não se apertou, não chorou, apenas se abraçou. Como fraternos irmãos.
Não fossem dois homens, seriam Julinho e “Julinho, eu te amo” os típicos protagonistas daqueles folhetins do século XIX, estilo Helena. Claro, eles têm o essencial para um desfecho de novela: a confiança da declaração de amor. A pessoa diz o que sente, sem medo de levar um fora, e corre para o beijo – ooops! – para o abraço!
Eu, estendida no sofá, semimorta, depois de um dia duro de trampo, sessão de psicanálise e muitos quilômetros no pedal, só queria aquele momento. Para rir.
Ah, gente, é claro que tentei fazer isso (“fulano, eu te amo!”) algumas vezes na minha vida, né? E é óbvio que quebrei a cara. Seres humanos de carne e osso dão tanto azar com esse tipo de iniciativa que sempre se declaram para a pessoa errada. Conta um caso diferente que eu digo: aconteceu, mas na novela!
ps.: Não vê novela? Vê só o clichê que está perdendo!
O Julinho - snif - fragilizado, emocionado, que outrora odiava esse ser um tanto dúbio e inseguro, sorri docemente e o abraça. Somente o abraça, pois a tevê sessentona ainda não arrisca um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Ou arrisca? Não sei, mas o casal gatíssimo que protagonizou essa cena não se beijou, não se apertou, não chorou, apenas se abraçou. Como fraternos irmãos.
Não fossem dois homens, seriam Julinho e “Julinho, eu te amo” os típicos protagonistas daqueles folhetins do século XIX, estilo Helena. Claro, eles têm o essencial para um desfecho de novela: a confiança da declaração de amor. A pessoa diz o que sente, sem medo de levar um fora, e corre para o beijo – ooops! – para o abraço!
Eu, estendida no sofá, semimorta, depois de um dia duro de trampo, sessão de psicanálise e muitos quilômetros no pedal, só queria aquele momento. Para rir.
Ah, gente, é claro que tentei fazer isso (“fulano, eu te amo!”) algumas vezes na minha vida, né? E é óbvio que quebrei a cara. Seres humanos de carne e osso dão tanto azar com esse tipo de iniciativa que sempre se declaram para a pessoa errada. Conta um caso diferente que eu digo: aconteceu, mas na novela!
ps.: Não vê novela? Vê só o clichê que está perdendo!
domingo, 13 de março de 2011
depois de dois anos...
... estudando um dos mitos da comunicação - a possibilidade de formar "sujeitos históricos" por meio do uso das mídias (faz-se a luz!) na educação - percebo que o problema da crítica é:
a) crítica, enquanto práxis, ação do ser diante do todo social, quanto mais se reproduz, mantendo-se crítica, mais torna-se cultura exata e total; mais é positiva para a negatividade que a contém.
b) crítica, enquanto negação, quando feita sob métodos, menos se nega, de fato; mais é repetição de um modo outrora contestatório e agora já incorporado.
c) crítica, enquanto ação comunicativa, então, essa sim já é resultado do embalsamado em seu lugar social: esvaziada, fazendo efeito.
d) crítica, enquanto exigência de formação, também é performance. aliás, é mais performance do que desempenho. é a inteligência manifesta: aquela deformada pela conformação.
e) crítica, enquanto objetivo, é saber de si em pequenas ilusões; é efetivar o tipo do "intelectual" novo, subalterno, que dificilmente enxerga além de seu bloco histórico (ou seja, todos nós).
dúvidas: se a visão da crítica e dos seus "efeitos" é negativa, o que se há de fazer? abandoná-la, ainda que inexista? ou mantê-la sempre a partir do benefício da dúvida?
(hum, pensei alto... bloquinho de notas. academicismo barato. precisava desabafar e nada mais. pode esquecer!)
a) crítica, enquanto práxis, ação do ser diante do todo social, quanto mais se reproduz, mantendo-se crítica, mais torna-se cultura exata e total; mais é positiva para a negatividade que a contém.
b) crítica, enquanto negação, quando feita sob métodos, menos se nega, de fato; mais é repetição de um modo outrora contestatório e agora já incorporado.
c) crítica, enquanto ação comunicativa, então, essa sim já é resultado do embalsamado em seu lugar social: esvaziada, fazendo efeito.
d) crítica, enquanto exigência de formação, também é performance. aliás, é mais performance do que desempenho. é a inteligência manifesta: aquela deformada pela conformação.
e) crítica, enquanto objetivo, é saber de si em pequenas ilusões; é efetivar o tipo do "intelectual" novo, subalterno, que dificilmente enxerga além de seu bloco histórico (ou seja, todos nós).
dúvidas: se a visão da crítica e dos seus "efeitos" é negativa, o que se há de fazer? abandoná-la, ainda que inexista? ou mantê-la sempre a partir do benefício da dúvida?
(hum, pensei alto... bloquinho de notas. academicismo barato. precisava desabafar e nada mais. pode esquecer!)
no ar

terra
de ampulheta quebrada
escorre por entre dedos
azul levemente sal
revela que tudo
é dito
ainda que não
existam palavras
adequadamente
o que se tenta
é intento
sem forma, sem jeito
sonho, berro ou engano
cacos nas palmas
o tempo passou
ampulheta quebrada
corte e cicatriz
dor é tão seca
azul docemente
mente
sem fim
estancada: pequena loucura
é tempestade
em copo de pinga
é nada que ocorre
a não ser em seus sonhos
vagos, temerosos
azul de amargura
a vida que cuida
de ampulheta quebrada
escorre por entre dedos
azul levemente sal
revela que tudo
é dito
ainda que não
existam palavras
adequadamente
o que se tenta
é intento
sem forma, sem jeito
sonho, berro ou engano
cacos nas palmas
o tempo passou
ampulheta quebrada
corte e cicatriz
dor é tão seca
azul docemente
mente
sem fim
estancada: pequena loucura
é tempestade
em copo de pinga
é nada que ocorre
a não ser em seus sonhos
vagos, temerosos
azul de amargura
a vida que cuida
terça-feira, 8 de março de 2011
superficialidade transbordante
Superficialidade transbordante é aquela postura bruta e fria dos bem-resolvidos e intolerantes. Algo que, assim como a mitomania, tem me encabulado bastante. Passo horas pensando sobre isso. Que medo!
Superficialidade transbordante, na minha visão, é similar àquela certeza de que tudo está ao nosso alcance. É comportamento dos inteligentes, dos legais, do grupo certo, da visão de mundo que se diz mais transgressora (e na verdade corre o risco de ser pura regressão). É o problema da mira exata: quem é que se beneficia? Quem é que se contraria? Pensa-se no outro?
“La garantia soy yo” é frase de propaganda. E a propaganda, já dizia aquele senhor cuja teoria eu fetichizei, é apenas um modo de dizer, uma inversão da verdade com conteúdo de verdade. Melhor dizendo, a transformação da verdade em um meio de uso para que se alcance a garantia. E o problema da superficialidade transbordante é justamente parecido aos objetivos da propaganda: está o tempo todo em busca das frases mais adequadas. Essas é que compõem seu vocabulário e também seu manual de comportamento.
O que está na superfície transborda em contrário, vive na beira, não chega a se afundar, não permite, não toma rumo adiante. Apenas aparece e forja. Preocupa-se demasiadamente com o reflexo dos pingos d’água no grande fosso que se formou o avesso.
Ainda que eu lute contra o julgamento travestido de análise, ainda que tente ser menos leitora de entrelinhas (ou ainda que eu venha a duvidar que essas entrelinhas de fato existam), não consigo conviver em um mundo cuja predominância das ações está na superficialidade transbordante. É apenas um desabafo.
Superficialidade transbordante, na minha visão, é similar àquela certeza de que tudo está ao nosso alcance. É comportamento dos inteligentes, dos legais, do grupo certo, da visão de mundo que se diz mais transgressora (e na verdade corre o risco de ser pura regressão). É o problema da mira exata: quem é que se beneficia? Quem é que se contraria? Pensa-se no outro?
“La garantia soy yo” é frase de propaganda. E a propaganda, já dizia aquele senhor cuja teoria eu fetichizei, é apenas um modo de dizer, uma inversão da verdade com conteúdo de verdade. Melhor dizendo, a transformação da verdade em um meio de uso para que se alcance a garantia. E o problema da superficialidade transbordante é justamente parecido aos objetivos da propaganda: está o tempo todo em busca das frases mais adequadas. Essas é que compõem seu vocabulário e também seu manual de comportamento.
O que está na superfície transborda em contrário, vive na beira, não chega a se afundar, não permite, não toma rumo adiante. Apenas aparece e forja. Preocupa-se demasiadamente com o reflexo dos pingos d’água no grande fosso que se formou o avesso.
Ainda que eu lute contra o julgamento travestido de análise, ainda que tente ser menos leitora de entrelinhas (ou ainda que eu venha a duvidar que essas entrelinhas de fato existam), não consigo conviver em um mundo cuja predominância das ações está na superficialidade transbordante. É apenas um desabafo.
domingo, 6 de março de 2011
(des)guarda
Uma estante empoeirada empilhava toda natureza de livros, manuscritos, fotografias, notas e diários. Todo o imaginado, respirado, trocado, violentado e expurgado de um mundo estava ali, criando crostas duras de ciscos trazidos pelo vento.
Teias finas costuradas por aranhas leves encobriam as memórias, tão fugidias. O tempo levou dias, meses e anos para represar tanta história. Portanto, ninguém ali mexia. Impossível. No máximo, acrescentavam mais rabisco, desenho ou súmula. Um pouquinho mais de poeira, talvez...
Apesar de abarrotada, a estante tinha sempre um aspecto translúcido. Era o ausente da estabilidade. E portas de lei devidamente trancafiadas.
Certa noite, um quase dilúvio. Enxurrada forte escalou muros, inundou vigas, quintal e cômodos. Carregou a imundice. Cadernos foram esfacelados pelas paredes. E a poesia, parnasiana, ganhou um quê de concreta. Veio à tona a vida rascunhada. Alguém leu.
Teias finas costuradas por aranhas leves encobriam as memórias, tão fugidias. O tempo levou dias, meses e anos para represar tanta história. Portanto, ninguém ali mexia. Impossível. No máximo, acrescentavam mais rabisco, desenho ou súmula. Um pouquinho mais de poeira, talvez...
Apesar de abarrotada, a estante tinha sempre um aspecto translúcido. Era o ausente da estabilidade. E portas de lei devidamente trancafiadas.
Certa noite, um quase dilúvio. Enxurrada forte escalou muros, inundou vigas, quintal e cômodos. Carregou a imundice. Cadernos foram esfacelados pelas paredes. E a poesia, parnasiana, ganhou um quê de concreta. Veio à tona a vida rascunhada. Alguém leu.
sábado, 5 de março de 2011
mitomania
Ando encabulada com aquelas vidas que a gente vive só do lado de dentro. Parece que as histórias ficam mais saborosas (e controladas) quando as outras personagens são todas imaginárias. Todas marionetes, para ser mais sincera. A gente pode dar o tom que quiser e isso é o que atrai tanto. O problema é quando o costume chega. Aí, não tem graça mais nada lá fora. Viver já não supre o prazer da imaginação. O concreto já não basta, pois exige bem mais molejo e paciência. É preciso inventar, inventar sempre. Vira compulsão e autodestruição lenta. O mundo é tormenta. Seria melhor um palco. Por tudo pra fora. Virar arte. Sei lá. Mas, não: a gente segue vivendo em segredo, pra ninguém, um mundo fechado, particular. Perfeitas ilusões. E basta. Ufa, até cansa!
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