segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
impotência
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
celebrar o quê?
O que buscamos é valorizar nossos próprios sentidos e experimentações. Vale o prazer. Os sentidos do popular. Nós somos o popular. É o poder de nosso povo que gostaríamos de reiterar. Mas, enfim, quem é esse grupo de seres humanos que passa de mais subjugado a mais valorizado em questão de décadas?
Alguma cartilha do sistema financeiro descobriu o pensamento daquele intelectual que gostamos tanto. E de humanidade cobriu seu contrato. O Banco, que se escreve com inicial maiúscula, fabricou em letras diminutas nossa saga. Antes, porém, apropriou-se do que havia dela, genuinamente. E nossos líderes, nem sempre escolhidos, dos mais aos menos carismáticos, consentiram, em nome de um mundo paradoxal que até pode entrar em ebulição, mas não deve ruir. Custe a reserva que custar.
Onde estará, a essa altura, o que queremos celebrar?
Palavras, mitos, canções e protestos: tudo está guardado, reprimido, transformado em pseudo-atividade libertária. Mas já foi surrupiado. E para que possamos seguir valorizados, protagonizamos, em narrativa contrária e agônica, nosso próprio assassinato.
Como se não bastasse, acordamos do sonho inquieto cultivando dizeres. Nomeações perfeitas desse ou daquele conceituador. Em um efeito similar ao jogo de dominó, definimos uns pelos outros os limites de nossa liberdade, nossa impotência, nossa negação.
E não se pode falar em "massa", não, foi proibido! Ora, mas como é que se cogita qualquer natureza de "atomização", quando todos nós nos sentimos tão críticos?
movimento involuntário
dizer de uma forma amontoada, sem motivos
entulhar palavras em traçados
tão curtos, estritos
alinhamento impossível!
breves rascunhos
letras jogadas, uma a uma,
sem preocupar com rima
ou métrica
emparelhar, apenas
depois apagar
quiçá rasgar o papel
a tudo desaguado
assim, resolvido.
sábado, 11 de dezembro de 2010
fiquei preocupada
O tom de sábia pseudocrítica prosseguiu:
"Mas vocês lá no NUCCA estão lendo McLuhann? Tão ultrapassado quanto a teoria matemática!".
Sim, estamos. Ler não é acender velas. Núcleo de Criação de Conteúdos Audiovisuais fez um compromisso de abandonar o preconceito. Ler de tudo. Ler todos. Tirar ideias de onde elas foram formadas.
"Não me digam que vão ler Kant também?"
Se for o caso... Por que não?
Então o diálogo não teve continuidade. As minhas frases eram longas demais para a impaciência do garoto, que me interrompia a cada três segundos. Há muito deixei de me interessar pelas pessoas que sabem de cor o sobrenome de meia dúzia de grandes autores e isso lhes basta para viver. Mas, confesso que fiquei bastante intrigada com a plena síndrome de Deus do rapaz.
Como é que todo tipo de texto deixou de fazer sentido a ele? Quem lhe contou que a "Flosofia está superada"? Se a aversão a todo e qualquer legado da produção de conhecimento é completa, qual é a "fonte" que lhe forma a visão de mundo? Faz parte do ethos da profissão de jornalista tamanhos esvaziamento e arrogância? Quantos livros ele leu na vida para ter coragem de dizer isso? A satisfação consigo mesmo lhe custa o quê? Esse tipo de comportamento que nega os passos do próprio ser humano em seu longo caminhar compreensivo é uma marca dos tempos que mudam?
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
la razón
Consciência*
A consciência é onipresente
às vezes a sinto no peito
mas também está nas mãos
na garganta e nas pupilas
nos joelhos e nos pulmões
mas a consciência mais consciência
é a que se instala no cérebro
e ali ordena proíbe festeja
e até recorre interminavelmente
aos arquipélagos da alma
a consciência é incômoda
impalpável invisível mas incômoda
usa a censura e as bofetadas
as penitências e o sossego
as recompensas e os paradoxos
os gestos luminosos e libertários
mas a consciência mais consciência
é a que nos aperta o coração
e vaga pelos canais do sangue
Mario Benedetti
*O poema “Conciencia” foi retirado e traduzido livremente de “El mundo que respiro” (Buenos Aires: Seix Barral, 2000). Traduzi Mario, que traduziu meu racio-namento.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
"não mais existe..."
(Herbert Marcuse, 1964)

(Rodrigo Dantas, 2008)
Retirada sem permissão do site: http://urbanoerbiste.blogspot.com/ Copyleft!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
surdomudez (mudando de prosa)
Referendamos a nossa própria "pseudoatividade" nos espaços da rede – que “devem ser” para o debate livre, desde que não haja debate, de fato.
?
estar no mundo, uma resposta
A crise é estar no mundo, simplesmente.
E digo mais, sob pena de parecer arrogante: por trás do consolo bem intencionado, pode estar camuflado um temperamento totalitário, daqueles que sequer aceita os próprios dramas (quanto mais o dos outros).
Me perdoem!
Se o ser humano não se dá ao luxo de viver uma crise, parabéns, alcançou a “maturidade”! Sorri e segue em frente. Talvez um dia eu consiga. No entanto, se não se vive a divisão do “parto” (o professor Joel Ulhôa me ensinou que krísis, do grego, também quer dizer “parto”), não renasce mais, não se revê. Está certo (a) de tudo. Deixou de compreender os inconformados; tem pena dos que se sensibilizam. Esse ser, não aceitando estar à deriva, protegeu-se forçosamente dentro do grande peixe, como um Jonas bíblico.
Também lamento, mas não consolo.
sábado, 27 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
contra a assepsia
Logo depois do resultado das eleições presidenciais, uma chuva de comentários preconceituosos, tortuosos, limitados, violentos, xenófobos e algo mais emporcalhou a rede, atribuindo a "culpa" da vitória da candidata do Partido dos Trabalhadores aos "pobres" do Norte e do Nordeste. Pude acompanhar, com vergonha e revolta, algumas dessas opiniões no Twitter e no Facebook. E resolvi me manifestar.
Ainda que eu tenha defendido o voto nulo durante todo o processo de pleito, por considerar que esse sistema de representação não é tão democrático como supomos, sei que esse resultado é legítimo e também é o "menos pior" que poderíamos ter. Se foram os estados das regiões Norte e o Nordeste que elegeram Dilma (sabemos que não foram apenas, mas...), o fizeram muito bem; com consciência de classe. Parabéns ao povo brasileiro!
Contra a assepsia da opinião
A burguesia pensa que foi bem formada só porque estudou em colégio pago e fala 3 idiomas. Mas é justamente aí que está o engano: falta autocrítica, falta olhar para a história, falta compaixão. Isso ninguém ensinou!
Insinue que um burguês é "ignorante" e veja a selvageria se revelar! A pseudocultura foi dura com ele, pois o fez comprar livros e perder o estímulo à própria leitura; o fez reunir bens simbólicos, como mercadorias, e também sucumbir ao próprio fetiche de tentar parecer um fatídico e já morto aristocrata. Muita lástima para uma alma degradada e copiosa que investiu tanto, mas que, contraditoriamente, pouco "acumulou".
No Brasil, a elite do Centro-Sul nega o Nordeste, nega o Norte, nega que os pobres possam ser lúcidos ao fazer suas escolhas e conduz a cultura popular ao status de exótica e desfrutável. Quando, em verdade, está a negar sua própria brasilidade, sua própria história de migrante, a dor da origem colonial, a violência do parto bandeirante e, no presente, sua própria impotência ao escolher.
Além de estar perdendo a hegemonia (assim, pelo menos, eu espero), a burguesia do Centro-Sul também está a revelar a dupla-face de sua boa educação: fascista, ignorante, violenta, individualista e totalitária. Diz que não é partidária, ignora a militância, faz questão de expor seus desejos de paz e assepsia, mas também mostra toda a consciência de classe que nunca teve: a consciência dos que defendem a riqueza - e para poucos!
Mas, não vamos estimular ainda mais a violência. "Vamos pedir piedade..." e perdoar essa gente que não sabe o que diz, pois se fez surda, cega e sem sensibilidade. Vamos, sim, seguir na luta, simbólica e cultural, por uma educação verdadeiramente popular! E a história se encarrega do restante.
domingo, 17 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
secura
Sequei também com os amigos. Não suporto mais nem os modernos e nem os pós-modernos. Tudo muito pesado. Não consigo falar só de marido e nem só de espiritualidade. Nem só de política e nem só de universidade. Discussões políticas, aliás, partem frequentemente para a ignorância. Problemas dos outros até que escuto, mas logo me lembro da terapeuta e aí... começo a “psicologizar” a conversa. O que não é agradável. Mais uma vez, com uma racionalidade seca, dura, pendente de sentimentos. Sentimentos que tento segurar, pela primeira vez na vida.
Hoje olhei para o rosto da minha mãe, ela está envelhecendo. Essa é minha grande preocupação do momento. E também tento conversar com meu pai algo além de Dilma versus Serra – afinal, essa é uma efeméride. Queria falar também das minhas angústias, mas não dá muito certo. Falta tolerância de alguma parte. Suspeito que seja a minha. Comigo mesma.
E tem mais coisa que dói (e aí, a essa altura, confundi a secura com a dor; ainda que venha tentando manter a apatia). Dói o coração, o peito, os cabelos, o pescoço, os olhos. Cortei o cabelo para ver se me animo. Talvez adiante. Ele não está aqui. E talvez nunca tenha estado. E o que fizemos para mudar? Padecemos. A distância insistiu por secar a orquídea, tão difícil de sobreviver. Mas, vai ver que nada disso importa, de fato. Estou seca. E a razão me consome. E é isso aí.
domingo, 3 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
nulo, sem graça e sem pontuação
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
puesto que siempre ha sido lo que es...

Miren cómo sonríen
los presidentes
Cuando le hacen promesas
al inocente.
Miren cómo le ofrecen
al sindicato
Este mundo y el otro
los candidatos.
Miren cómo redoblan
los juramentos,
Pero después del voto
doble tormento.
Miren el hervidero
de vigilante
Para rociar de flores
al estudiante.
Miren cómo relumbran
carabineros
Para hacerle premios
a los obreros.
Miren cómo se visten
cabo y sargento
Para teñir de rojo
los pavimentos.
Miren cómo profanan
las sacristías
Con pieles y sombreros
de hipocresía.
Miren cómo blanquean
mes de María
Y al pobre negrean
la luz del día.
Miren cómo le muestran
una escopeta
Para quitarle al pobre
su marraqueta.
Miren cómo se empolvan
los funcionarios
Para contar las hojas
del calendario.
Miren cómo sonríen,
angelicales,
Miren como se olvidan
que son mortales.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
emancipação e (para o) culto

segunda-feira, 6 de setembro de 2010
"contra os que têm resposta para tudo"
para justificar a falta de entrega para com as experiências,
o outro,
para com nossa própria (des)identidade.
Nos tornamos frios como solução para nossas misérias - internas e externas.
Assim passamos a crer, severamente, em autodefesa.
Assim escondemos nossas fragilidades, principalmente, de nós mesmos.
E buscamos a liberdade que, em verdade, é dominação.
Alguém já disse: liberdade e dominação pressupõem autoconhecimento
e autoconhecimento pressupõe mitos abundantes do que já foi desencantado.
E o que foi desencantado é que produz respostas.
E são essas respostas para tudo o que buscamos todos os dias,
quando nos justificamos
ou agimos de modo orientado
a nos justificar.
Somos uma enlameada retórica.
O que devemos ser?
Talvez um caramujo, movendo lentamente, balançando as antenas devagar.
Devagar nesse mundo?
Sabemos, talvez, o que não é,
que parece ser.
E isso nos conforta, importa, nos faz soltar palavras.
Vazias, por sinal,
sem experiência.
De algo que vivemos, mas não sentimos.
Nem concretizamos.
Que idealizamos com carinho e perfeição,
mas executamos nas bases da dominação.
Repeteco!
Porque é a dominação (de novo!) a mesma a nos formar e deformar.
Nos faz estarrecidos e ilude.
E quando "descobrimos" tudo isso, o que fazemos?
Nada.
Ainda não descobrimos,
já que descobrir requer crença
no mito da descoberta.
E cremos nesse mito,
mas é melhor
para a nossa autojustificativa
dizer que não cremos.
Nota: Este texto é uma interpretação livre da Dialética do Esclarecimento, que Theodor Adorno e Max Horkheimer publicaram em 1947; obra que gosto muito, que ainda compreendo pouco e que me influenciou bastante nos últimos tempos.
domingo, 5 de setembro de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
eleições frenéticas
"A importância das eleições presidenciais, com ou sem fraude, é relativa. As decisões que afetam Honduras são tomadas primeiro em Washington; a seguir, no comando militar norte-americano no Panamá; depois, no comando da base norte-americana em Palmerola, aqui em Honduras; em seguida, na Embaixada norte-americana em Tegucigalpa; em quinto lugar vem o chefe das forças armadas hondurenhas; e, apenas em sexto lugar, aparece o presidente da República. Votamos, pois, em um funcionário de sexta categoria quanto ao poder de decisão. As funções do presidente se limitam à administração da miséria e à obtenção de empréstimos norte-americanos."
Em: Império & Imperialismo, p. 98.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
gonorãnça


domingo, 22 de agosto de 2010
fogo, ar, terra, água... fogo
Rostos marcados pelo vento
fortemente frio.
Terra debaixo das unhas.
Sol rachando as nucas. Omni congelante.
Ossos resistentes.
Cheiro de mel nas flores.
Bem menos que da outra vez.
Pássaros anunciando o fogo no pé da serra. Animais em polvorosa.
Fogo ardente também entre as pessoas
Marcas de convivência.
Respirar fundo.
Folhagem seca
Se desfaz, poeira...
Adubo.
Depois, fotossíntese.
Alma se lava com Cerrado.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
impressões
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
mais uma nota sobre o avanço
por Bob Black
"Se o patriotismo é, como disse Samuel Johnson, o último refugio de um canalha, o cientificismo é desde já o primeiro. É a unica ideologia que, agora em versão cibertola, projeta a aparência e a sensação de futuridade enquanto conserva atitudes e valores essenciais para manter as coisas exatamente como estão. Continue zapeando!
A afirmação abstrata de "mudança" é conservadora, não progressista. Ela privilegia toda mudança, aparente ou real, de estilo ou substância, reacionário ou revolucionário. Quanto mais as coisas mudam - em especial as que mudam - , mais elas continuam iguais. Mais rápido, mais rápido, Speed Race! ( mas continue andando em círculos).
Pela mesma razão, privilegiar o progresso também é algo conservador. O progresso é a noção de que a mudança tende ao aprimoramento e de que o aprimoramento tende a ser irreversível. Contratempos locais acontecem quando a mudança é interrompida ou desviada ("o éter", "flogisto"), mas a tendência secular é avante (e secular). Nada dá muito errado por muito tempo, então nunca ha um motivo importante para não continuar fazendo o que se está fazendo. Vai dar tudo certo.
Como um jurista já disse em outro (porém assombrosamente similar) contexto, as rodas da justiça giram devagar, mas moem direitinho."
sábado, 31 de julho de 2010
num é que é?!
Agora, não sabe do nosso histórico.
Não sabe de regionalismo.
Tem o anel no dedo, tem estudos sociais, mas não aprendeu sobre a casaca de couro, o sarapó e o cascudo.
Não sabe de nada do que aconteceu com nosso pai,
avô, bisavô, tataravô e escanchavô.
A juventude é analfabeta em regionalismo!"

quinta-feira, 29 de julho de 2010
para constar
sábado, 24 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
vamos dar uma voltinha?
terça-feira, 20 de julho de 2010
UFG: 1964 a 1973
Nota preliminar: As versões oficiais desta matéria podem ser lidas em Jornal UFG ou em Jornal UFG on line

Reforma universitária, modernização e silêncio
Entre as décadas de 1960 e
O caso de Gabriel Roriz é um entre muitos. No mesmo ano em que o Exército instaurou, por meio de golpe, a regência militar no país, grande parte dos atos decisórios da UFG, publicados em boletins internos, diziam respeito a: redução de quadro de pessoal, demissão “por justa causa”, afastamento de funcionários, abertura de comissão de sindicância, entre outras medidas disciplinares. E assim ocorreu até meados de 1970.
Quem auxiliou a reportagem do Jornal UFG na localização dessas portarias foi o servidor técnico-administrativo aposentado Armando Honório da Silva. Admitido em 1967, lembra-se bem dos dilemas de Colemar Natal. Ainda que o reitor assinasse todos os termos, “no uso de suas atribuições legais”, o servidor garante que ele o fazia contrariado. “Tanto é que foi afastado logo em seguida”, justifica.
De todo modo, Colemar Natal e seus dois sucessores, Jerônimo Geraldo de Queiroz e Farnese Dias Maciel Neto, cada um a seu modo, em maior ou menor grau, com mais ou menos consequências, foram porta-vozes dos generais em um projeto que, de
A estratégia, para tanto, tinha dupla face: investir e reprimir. Foi na década de 1960, por exemplo, que nasceu a Escola de Agronomia e Veterinária, na Fazenda Samambaia, o Planetário, com seu maquinário alemão de ponta, a Rádio Universitária, pioneira no Brasil, o embrião do Sistema de Bibliotecas e boa parte dos cursos da UFG, como Jornalismo, Química, Geografia, História, Letras, Matemática etc. Por outro lado, dispositivos legais como o Decreto nº 477, de 1969, conhecido como “Lei Suplicy”, estreitavam o cerco contra as opiniões divergentes e previam severas punições contra questionamentos feitos no âmbito do espaço acadêmico.
Como bem definiu a professora Célia Maria Ribeiro, aposentada do curso de Ciências Sociais, em artigo publicado na revista UFG Afirmativa (nº 3, de setembro de 2009, páginas 48-50, disponível em www.ufg.br), o período foi de “continuidade na descontinuidade”. Continuidade no projeto desenvolvimentista iniciado nos anos Kubitscheck, que tinha como uma das bases o investimento no saber técnico-científico; descontinuidade no processo de mobilização popular e estudantil que vinha sendo consolidado ao longo da década anterior.
Política da neutralidade
Em
Quando da reforma universitária de 1968, proposta em âmbito nacional e executada pelo reitor Jerônimo Geraldo de Queiroz, o esqueleto do projeto foi conservado, contudo, sem a presença, no núcleo curricular básico das graduações, de disciplinas como Sociologia Política ou Teoria Econômica. Além disso, o IPSP e o CEB nunca chegaram a entrar, de fato, no rol dos institutos.
O CEB foi criado em 1962 por sugestão de Darci Ribeiro, então reitor da Universidade de Brasília (UnB), e do filósofo português Antônio da Silva, chegou a funcionar regularmente, com os cursos de Estudos Brasileiros e Literatura de Goiás, e a publicar uma edição dos Cadernos de Estudos Brasileiros, além de realizar uma exposição internacional de livros. Entretanto, encarado como uma extensão do Instituto Social de Estudos Brasileiros (ISEB), o CEB foi fechado em outubro 1964, depois da publicação do Ato Institucional nº 1. Gilberto Mendonça Teles, seu diretor, e Bernardo Élis, seu vice-diretor, considerados “comunistas”, foram imediatamente afastados da UFG.
A derradeira ação da “reforma universitária” foi a transferência dos institutos para o Câmpus Samambaia, que inicia suas obras em 1971, já no reitorado de Farnese Dias Maciel Neto. Estudada nos mínimos detalhes, a construção da Cidade Universitária nas imediações da fazenda onde funcionava a Escola de Agronomia e Veterinária (EAV) foi consagrada como um advento oportuno e tecnicamente perfeito, uma vez que, com o crescimento urbano, não seria viável que a UFG permanecesse espalhada pelo centro de Goiânia. Contudo, a professora aposentada Célia Maria Ribeiro lembra, em seu artigo, da atrofia democrática que esse afastamento representou: “Servia também para sufocar”.
Em 1962, o parque gráfico da UFG foi inaugurado e, com ele, o jornal 4º Poder. Por pouco mais de um ano, a publicação mensal ganhou leitores
Na transição turbulenta de João Goulart para Humberto Castelo Branco, o 4º Poder tentou manter-se imparcial – ainda que não fosse possível. A edição de três de maio de 1964 trouxe análises jurídicas sobre o golpe militar, que o jornal preferiu chamar de “revolução”. Os juristas entrevistados, Miguel Reale, Vicente Rao e Basileu Garcia, além do professor Carlos Medeiros Silva, foram unânimes em considerar “legítima” a tomada do poder em 31 de março. Somando-se a isso, estava uma matéria completa sobre a vida e a carreira de Castelo Branco, para que o leitor conhecesse seu novo regente.
A equipe do jornal 4º Poder tinha planos: se possível, transformaria suas edições mensais
No jornal Cinco de Março, UFG é anúncio publicitário
Em
Cinco de Março, a propósito, surgiu depois de um motim estudantil em 1959, com a promessa de ser um jornal militante. No intermédio 60-70, contudo, os exemplares do periódico revelam uma contradição bastante comum na história da imprensa brasileira: em 1968, preso Batista Custódio, seu maior representante; “um grito de silêncio” escancarado no quadrado branco no centro da capa; protesto em forma de poema assinado por Brasigóis Felício e, na sequência, uma série de anúncios de empresas ligadas ao governo do estado, como Caixego e CELG.
Em ano de copa do mundo e de conquista do tricampeonato, não se sabe ao certo se porque o Estado era coercitivo ou porque também investia, a edição de 22 de junho de 1970 agradecia ao então presidente Médici: “Um viva a Garrastazu e à Embratel”. E a reportagem dizia que o Brasil estava orgulhoso de ter podido ver os jogos da seleção pela TV, em uma experiência inédita: “É o milagre da técnica, repetem muitos, a maioria até sem compreender direito essa história de imagem via satélite”.
O reitor nos suplementos literários
A literatura foi um tema recorrente nos jornais da virada de 1960 para 1970. No entanto, era tratada como diletantismo, descolada da política e da vida social. Nos suplementos literários de O Popular, nomes consagrados da prosa goiana, como Carmo Bernardes, ou estudantes da UFG faziam enormes resenhas sobre Herman Hesse, Lima Barreto, Gabriel García Márquez, Graciliano Ramos, Mário de Andrade, entre outros, sem dar mostras da visão crítica desses autores. Vale lembrar que são textos interessantes de se ler, mas que guardam marcas do contexto histórico em que foram produzidos: os pesados anos da censura.
Jerônimo Geraldo de Queiroz, professor da Faculdade de Direito, foi um dos colunistas cativos desses suplementos, escrevendo sempre sobre educação, progresso econômico e desenvolvimento humano. Senhor conservador e de texto afiado, sempre deixou claro seu posicionamento favorável às “revoluções” encampadas naquele contexto. Em 8 de junho de 1969, por exemplo, escreveu, convicto, sobre a importância da formação instrumental: “Sim, a Educação deve ser dirigida para o Desenvolvimento, pré-requisito do Progresso, preparando técnicos para a industrialização urbana e rural; habilitando agrônomos e veterinários, para o aumento da produtividade agropecuária; especializando planejadores, para nossos programas e projetos administrativos”.
Por muitos anos, Jerônimo Geraldo de Queiroz foi o desafeto do movimento estudantil em Goiás e, antes de a UFG ser criada, mostrou-se claramente contrário à federalização do ensino superior. Quando do afastamento de Colemar Natal e Silva, em 1964, foi o primeiro indicado a substituí-lo na função de reitor da UFG, cargo que ocupou de
domingo, 18 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
em julho...
(...)

sábado, 10 de julho de 2010
a frieza do mundo
Ele vem ao Brasil e recomenda à sua produção água mineral estadunidense. Muitos outros "astros" já fizeram o mesmo. Aí descubro, tardiamente, que vem também na minha cidade. E pergunto, sem ligar o nome à pessoa: "Quem é 50 cent"?
Oh, bem que desconfiei! Um Marcelo D2 mais playboy ainda! Alguém que representa o submundo, mas não é o submundo. É a sobrevivência do capital nas classes baixas, médias e altas, disfarçando seu mau gosto no êxtase de uma suposta cultura. A locução do seu nome já indica muito bem quanto vale a diversão.
Vão beber e dançar adoidado no show de hoje, hã? Mas, para quê? Bater o carro, pegar alguém, algo mais? Talvez um vazio sem explicação no dia seguinte. Aqueles típicos dos cinquenta centavos de vida.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
perdi o sono
semicultura
quarta-feira, 7 de julho de 2010
desanuviando

terça-feira, 6 de julho de 2010
censura e sufoco
Não, não há o que reclamar, menina! Esse rosto pressionado é que procura confusão, quer deturpar as linhas retas, tão retas, deveras retas! Conservadorismo, não lhe aguento com essas plumas e essas penas tão fartas, tão delicadas, tão amenas!
Yo no protesto por mi
porque soy muy poca cosa,
reclamo porque a la fosa
van las penas del mendigo.
A Dios pongo por testigo
que no me deje mentir,
no me hace falta salir
un metro fuera 'e la casa
pa' ver lo que aquí nos pasa
y el dolor que es el vivir.
(Violeta Parra)
sábado, 3 de julho de 2010
linguagem vlogueira
Eis que me deparei, então, com esse vídeo, uma série de "aulas populares" dispostas na rede e um grupo grande de gente da minha geração, para mais ou para menos, que aderiu à expressão por meio do audiovisual. Maravilha!
Tudo bem que esses ditos "vlogueiros" não usam todos os recursos que têm. Pelo contrário, falam como se estivessem em sala de aula (e até escrevem no quadro), seguem um raciocínio tão linear que cansa. Contudo, de todo modo, me impressionou bastante a facilidade com que essas pessoas falam em público e diante da câmera. Gostei de ver. Cada um com com sua "desenvoltura". Não perdem o raciocínio, ainda que possam contar com os editores de vídeo.
Desde já, parabéns ao Denis Lee, não concordo com o que ele disse sobre o humor na TV, mas esse é um debate escrito-visionado para outra ocasião.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
diga não à maquiagem!
"Não adianta esconder, a gente existe"! Dispensa comentários. Apesar de que é nessas horas que fico louca para dizer o porquê ainda acredito na Comunicação Comunitária. Mas, enfim, não é preciso entrar em detalhes.
Ôpa, espera aí.
Ainda vale ressaltar: quais são os outros muros, além desse indicado pelo vídeo? Será preciso fazer um esforço, na sua localidade, que certamente não é o Rio de Janeiro, para decifrar quais são os muros? Quais são os lixos e qual é a orquestra que nos impedem de perceber a realidade e, mais do que isso, de negá-la?
Quando tudo parece bem, precisamos esfregar os olhos.
nada vai acontecer, não tema!
Os pesquisadores de ambiência virtual ou gameart se empenham para trazer seus olhares "de processo" à educação e estão sempre preocupados em ressaltar "as coisas boas" de seus estudos sobre tecnologia. E é cada experimento tão interessante... Interfaces com o corpo, a terra, o ar, a sombra. Sentidos em três ou quatro dimensões. Real e virtual em uma mesma textura. Maravilhoso! Maravilhados ficamos com as possibilidades técnicas da humanidade. Já pensou ensinar história usando Age of Empires? Não se sabe bem que tipo de conteúdo será repassado, mas se apre(e)nde!
Onde está mesmo a educação? E a política?
A dedicação para romper preconceitos dentro da academia supera o olhar social. A educação, em diálogo franco com as mídias e a criação artística, tenta, mas não consegue o mais básico: contemplar quem sequer tem a possibilidade de estar dentro da estrutura social formadora (de opinião, de afetos, de posturas, de carreiras, de modos de ser e de viver etc.).
Algo me incomoda. Saio da Pontifícia, paro no ponto de ônibus e vejo uma senhora de meia idade, com um saco nas costas, camisa e calça rasgadas, gritando: "55 anos e um aborto. Foi a única coisa que essa vagina pariu". E aí, mais uma vez, me pergunto: para quê?